Inexplicável sensação que me remete a questionáveis dilemas sobre o Ser ou Não-Ser, O vazio da existência¹ escrito por Schopenhauer. Subtração total da minha vontade de viver. Explosão dos meus sentidos, aflorando como belos lírios na primavera.
Como gostaria que estivesse aqui apenas pra poder sentir seus olhos Sophia; Apenas pra sentir sua presença silenciosa que acalma meu coração, minha linda. Sua falta esmaga meu raciocínio, não consigo sobreviver, aliás, não sei se estou vivo, por apenas esta ocupando um espaço desprezível no espaço. Esse mundo é tão confuso Sophia, às vezes me parece tão simples por existir, porém, tão sombrio por existir. Por que nós nos entristecemos com a falta, ausência de outra pessoa? Por que nós nos apegamos aos outros sempre sabendo que qualquer desunião será destruidora para alguém em particular? Nunca me esquecerei do seu olhar minha linda. Suas palavras tranqüilizadoras. Seu sorriso inebriante. Sophia, todas as sensações prazerosas que um homem poderia sentir; qualquer relação empírica, minha vida foi repleta disso com sua presença, porém, agora as coisas já não me parecem como antes, o mundo já não está como antes, não consigo sobrevier em meio de tanta ignorância dos seres humanos. O conformismo simplesmente nos impede de crescer, de poder ver além do que as coisas alcançam; impede-nos até mesmo de sentir sensações extraordinárias, como senti com você. Tão intenso que doía meus sentidos, no entanto, não me sinto mais suficientemente vivo pra poder olhar nos seus olhos ou de qualquer outra representação do mundo, contudo, as coisas me acalmam por pensar, que logo morrerei, que logo não irei mais pensar; E isso sim me dói muito. O oxigênio lentamente vai se tornando escasso, fazendo com que não consiga mais sentir meus órgãos, meu coração. Meus olhos, realmente agora eu sei o que é estar ficando de olhos fechados, o que é estar perdendo o sentido. Não devo temer a morte, além do mais, “ela é um componente da própria vida²”. A morte não me parece tão desagradável assim; fornece-me até forças; estou cansado demais. Não quero que se zangue comigo Sophia, por entregar os pontos assim tão fáceis, não fique triste, por favor. Eu gostaria que entendesse que essa foi a minha escolha, não seja egoísta a ponto de me ver apenas pelo seu ponto de vista. Entenda minha opinião, não estou encarando isso como uma tragédia e sim como um alívio a minha existência, estou negando a minha vida. Simplesmente quero ficar em paz. Talvez eu entenda o que é a paz verdadeira. Saiba que por todas as minhas incompreensões sobre o amor, espero que nunca se esqueça que eu sempre te amei, sempre... Até minhas últimas moléculas de oxigênio, até onde meu pulmão conseguir agüentar eu sempre vou estar te apoiando, desejando minhas eternas felicidades a você amor. Não se esqueça de mim, pois você sabe que meu único pavor é o esquecimento. Você vai ficar bem, confie em mim. E acredite que estou me sentindo muito melhor, me sentido em paz, realmente.
¹. “Somente o presente é real, todo o mais é representação do pensamento. Mas tal propósito poderia também ser denominado a maior tolice, pois aquilo que, no próximo instante, não mais existe e desaparece completamente como um sonho, jamais poderá merecer um esforço sério” cf. op.cit. Fr. p.2/ O vazio da Existência; Parerga e Paraliponema – Arthur Schopenhauer.
². Cf. op.cit. fr. p.15/16 Pacificando o Espírito (Dalai-Lama)
(Thiago)
17.5.09
11.12.08
Cade as árvores que estavam aqui?
Está tão calmo, o vento sopra, consigo ouvir a sonoplastia reproduzida pelas árvores em dança. Os rios correm com a liberdade de uma criança no parque de diversão, as moléculas d’gua me lembram cristais percorrendo uma avenida azul no interior do céu. É a idéia de tranqüilidade transportada pra realidade; momentaneamente consigo sentir meus pulmões expirarem e inspirarem toda a pureza e limpeza do oxigênio que só há neste lugar. Sempre penso que posso estar vivendo um sonho eterno, uma utopia tão verdadeira que por algum instante me faz sentir um medo em que tudo possa se perder no vácuo, seria a dissolução da minha paz, porém, acontece com todos nesse mundo material tão complexo de se viver.
Os dias passam tão calmo, o sol reluzente clareia o entorno dos meus passos, o verde quase que fluorescente acalma minha ansiedade contrastando com o azul celeste que me faz sentir uma alucinante sensação de vida. Sinto-me vivo aqui. Um dia, esse dia, o dia mais estranho, coisas que nunca imaginará ver surgem em frente aos meus olhos tão assustados. Que barulheira! Será que o céu está desabando?! Os trovões estão irritados?! Mas o céu permanece azul por enquanto. Pessoas aparecem como estrelas ao anoitecer, estrelas das quais talvez não viria mais! Não sei mais aonde estão as árvores que viviam aqui, sumiram, o céu que de tão azul parecia transparente começa a nascer um tom de cor nunca visto antes, um tom escuro, as nuvens brancas e lindas estão tão tristes, não param de chorar e o que é mais triste que seu choro traz destruição às árvores quase mortas, um choro execrado. Parece-me que estas pessoas que surgiram não se incomodam com o choro das nuvens, se sentem até confortáveis. O rio de tão livre que lhe parecia, acho que os incomodou de tal forma que tomaram posse. Este lugar não é mais o mesmo, a mesma calma não existe mais. Tomaram o lugar inexoráveis construções. Nasce um sentimento que deveria ser execrado por todos os homens, uma vontade de crescer que atropela os próprios passos. O mundo já não gira em torno de todos e sim de cada homem que aqui habita. O ar? esse sim foi o mais castigado desta região, tão limpo, tão fresco e agora tão tóxico e denso que é difícil de respirar. Acho que não vivo mais no mesmo mundo. Cadê as árvores que estavam aqui? Que monumentos são esses que tampam o sol e chegam nas nuvens? Que ousadia tocar as nuvens que não incomodam ninguém. Queria de volta a minha tranqüilidade! (thiago)
14.11.08
Schopenhauer.
"As cenas de nossa vida são como imagens em um mosaico tosco; vistas de perto, não produzem efeitos - devem ser vistas à distância para ser possível discernir sua beleza. Assim consquistar algo que desejamaos significa descobrir quão vazio e inútil este algo é; estamos sempre vivendo na expectativa de coisas melhores, enquanto ao mesmo tempo, comumente nos arrependemos e desejamos aquilo que pertence ao passado. Aceitamos o presente como algo que é apenas temporário e o consideramos como um meio para atingir nosso objetivo. Deste modo, se olharem para trás no fim de suas vidas, a maior parte das pessoas perceberá que viveram-nas ad interim[provisóriamente]: ficarão surpresas ao descobrir que aquilo que deixaram passar despercebido e sem proveito era precisamente sua vida - isto é, a vida na expectativa da qual passaram todo o seu tempo. Então se pode dizer que o homem, via de regra, é enganado pela esperança até dançar nos braços da morte!"
(Arthur Schopenhauer.
O Vazio da Existência.)
19.8.08
Cidade, Noite e Luzes
E as luzes do centro da cidade vão se apagando em uma tal sincronia, demasiadas esplendidas aos meus olhos solitários e cansados. Uma por uma em cada pilastra de concreto se acendem, do mesmo modo em que minha garrafa de cachaça se esvazia. Enquanto é dia sou alvo de inexoráveis críticas. Injustiçadamente violentado por pensamentos, palavras e olhares execrados, até mesmo por energia física. Não generalizo.
3 reais por semana é o meu sustento, penso, que nem com 10 anos de poupança não conseguiria uma ascensão paulatina. O que me restas a não ser 910ml de aguardente? É difícil acreditar como fui logrado por uma expectativa de vida plausível. Deixei pra trás tantos sonhos, amores para buscar um sonho abstrato que se dissolveu no ar numa brusca velocidade. Mas será culpa minha? Ou será a culpa de meros demagogos populistas? Não sei mais o que é ter uma noite de sono tranqüila. Ouço um tumulto, já não consigo entender mais nada. Não tenho minha cachaça, meus olhos estão embaçados. Algumas sinuosas me rodeiam, uma gritaria que deveria ser considerada poluição sonora. Meu corpo já não sente mais nada. Não consigo entender essa sociedade, outrora lutam pela preservação da natureza e por limpeza da cidade e agora as sujam com o meu sangue derramado. Agradeço a todos que me ajudaram jogando matéria orgânica, papelões, cobertores no lixo. 25ºC é quase uma nova era glacial ao meu ponto de vista. Despeço-me com um pouco de alegria, envolto de tanta confusão, tantas hemorragias, tantas fraturas, me fizeram lembrar meu nome que havia esquecido há algum tempo. Morro com a glória do pseudônimo Mendigo.
(Thiago)
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