Enquanto ela ouvia apaixonadamente Muse em seu fone de ouvido.
Ele passeava pelas guitarras melancólicas do Alice in Chains.
De fato, eles são melancólicos.
Ele se aproxima de Alberto Caeiro.
Ela se identifica com Álvaro de Campos.
Seus olhos são oblíquos e ele é um "Badé".
Ele fala "cuxcux". Ela cisma que é "cuzcuz".
O sotaque realmente é algo bem divertido.
Criamos neologismos para facilitar a precária comunicação.
Enquanto ele canaliza sua violência assistindo Quentin Tarantino.
Ela caminha pelos sentimentos de Clint Eastwood.
Gostam também de Woody Allen.
E sentem as vezes a psicodelia de Tim Burton.
Hoje ela lê Augustos dos Anjos.
Ele viaja no mundo de Manoel de Barros.
Ela o chama de comunista. Ele fica irritado.
Ela faz de propósito. Ele sabe!
A Filosofia percorre nas veias dele. A Ciência faz parte da visão de mundo
dela.
Conseguiram conciliar essa ideia em momentos memoráveis.
Aquele dia na rede foi inexplicável.
Ela trouxe Richard Dawkins para conversa. Ele apresentou Arthur Schopenhauer.
Casaram algumas ideias. Casaram a felicidade de conciliar pensamentos
incríveis.
Um dia ele gostou de Bukowski. Ela acalmou-o com Eça de Queiróz.
Estranho tanto antagonismo. Perceberam que esse é o ingrediente.
Eles não se dão bem, mas, se sentem bem um perto do outro.
Ele demonstra seu carinho apalpando-a.
Ela demonstra puxando seu cabelo e implicando com ele.
Ontem ela gostava de dormir de conchinha. Hoje não sei se gosta mais.
Há contradições em nossas vidas. Aprendemos lhe dar com elas.
Seguimos nossas vidas. Mas, ele ainda sente saudade dela.
Ela ainda sente saudade dele. Ele se expõe. Ela se esconde.
As "Noites Estreladas" de Van Gogh trazem lembranças à ele.
Ela gosta do impressionismo como forma de manifestação artística.
Ele prefere o surrealismo, traz René Magritte como influência.
Contudo, eles uniram o pensamento filosófico-científico.
Uniram todas as oposições e contradições.
Perceberam que os Genes não procuram mais os opostos e sim os semelhantes.
É. Ela é Geneticista e apaixonada por Eugenia.
Ela acha que ele é um bonobo. Mesmo quando ele age feito um chimpanzé.
Hoje ela ouve no rádio: "blá blá blá eu te amo" e lembra dele.
Ele fica "numa relax, numa tranquila, numa boa" para lembrar-se dela.
São tantas referências que nos perdemos em quem somos.
Na verdade, somos tudo isso, no qual, nos referimos e que faz lembrarmo-nos de
nós.
Só para finalizar. Ela acha que é vascaína. Ele é Flamenguista.
Ela gosta de basquete e ele é apaixonado por futebol.
Nossa relação é muito intensa. E uma coisa é verdade, nos conhecemos muito bem!
(Thiago Barros)
15.8.12
1.8.12
"Céu azul. Nuvens rosa. A lua cheia, ainda laranja,
surgindo
por detrás das árvores verdes de flores amarelas.
Deslumbro da minha varanda o espetáculo da natureza.
Acompanhado por algumas Norteñas.
E a fumaça para espantar os mosquitos.
Contemplo o empalidecer da lua distanciando-se da terra.
Nuvens brancas. O crepúsculo antecede o escurecer do céu.
Deitado na rede vejo o verde das árvores se despedindo.
Tomando lugar uma cor prateada harmonizada pela lua cheia.
Isso me basta. Sentir a transição das coisas.
Um espectador de uma bela obra de arte.
A Natureza é o que observo diante dos meus olhos.
É o que sinto de mais intenso pulsando dentro de mim.
Não penso nela.
Sinto-a.
Foi o que Alberto Caeiro me ensinou também."
(Thiago Barros)
por detrás das árvores verdes de flores amarelas.
Deslumbro da minha varanda o espetáculo da natureza.
Acompanhado por algumas Norteñas.
E a fumaça para espantar os mosquitos.
Contemplo o empalidecer da lua distanciando-se da terra.
Nuvens brancas. O crepúsculo antecede o escurecer do céu.
Deitado na rede vejo o verde das árvores se despedindo.
Tomando lugar uma cor prateada harmonizada pela lua cheia.
Isso me basta. Sentir a transição das coisas.
Um espectador de uma bela obra de arte.
A Natureza é o que observo diante dos meus olhos.
É o que sinto de mais intenso pulsando dentro de mim.
Não penso nela.
Sinto-a.
Foi o que Alberto Caeiro me ensinou também."
(Thiago Barros)
17.6.12
Crônica sobre uma tosse inexorável.
Ele tem tido suas piores madrugadas de sono que há
muito tempo não tinha – desculpe-me o exagero, são duas semanas no máximo – muitos poderião pensar que
ele está somente apaixonado ou que o seu amor não está sendo correspondido, mas, veja bem, ele rezava para que fosse isso mesmo. Na verdade uma tosse vem
assolando suas madrugadas de maneira inexorável, o estridente barulho causado
no silêncio lhe incomoda tanto, ao ponto de achar que ficaria surdo ou louco. E a
sua inquietude misturada com um pouco de compaixão que sente pelos seus vizinhos, vão
além da mera dor física e irritação na garganta. Ele pensa consigo mesmo: Coitados dos meus
vizinhos que devem estar dormindo essa hora em suas camas aconchegantes e
quente, com sua esposa e filhos carinhosos imersos no silêncio da madrugada até
ouvirem uma tosse insuportável rasgando o sossego que eles tanto procuravam até
conseguirem dormir nos braços dos deuses dos sonos e sonhos. Ele tem visto o
dia amanhecer todos os dias, e não é por que ele está deslumbrando e contemplando
o crepúsculo, de certa forma, mal consegue se concentrar no espetáculo da
natureza que ele tanto ovaciona. O que lhe traz essa insônia é o incomodo da sua
tosse; é ela que tira toda sua paz, sua tranquilidade. Infelizmente, ela só lhe
ataca na madrugada, no momento silencioso – pelo menos era para ser - que consegue
ter. Bom, ele não reza para que melhore, ele se remedia, exercita sua saúde
para poder se manter de pé e tentar refletir sobre o momento, pois até na
enfermidade o homem tem que se manter saudável e com a sua mente sã, senão
enlouquece com o barulho ensurdecedor daquela insuportável tosse maldita que ele
vem cultivando por algumas semanas. Creio que seja uma fase, um momento de
reabilitação da minha saúde. Visto que, até na saúde a lei da transitoriedade das
coisas é aplicável.
(Thiago Barros)
(Thiago Barros)
8.6.12
"Viajando Sozinho, na estrada do autoconhecimento".
Destaco trechos de um texto publicado na Revista Hardcore da edição de Janeiro 2011. Onde o escritor retrata a experiência de cair na estrada sózinho, como o próprio retrata: "Não estou apenas sem eletrônicos. Estou sem companhia, sem cartão de crédito, sem mapa, sem planos, sem motivo, sem noção... tudo aquilo que confirmava minha antiga existência foi-se de uma vez." Particularmente, achei contagiante a forma como é descrita essa experiência. Compartilho em parte, algumas idéias. Não sei se tenho forças para romper essas correntes virtuais. Espero um dia conseguir. É como aquele velho samba do Candeia interpretado majestosamente por Cartola: "Deixe-me ir preciso andar, vou por aí a procurar sorrir para não chorar/ Se alguém por mim perguntar, diga que eu só vou voltar, depois que me encontrar". Foi a maneira mais poética que eu já vi, para retratar uma busca pelo autoconhecimento, para evolução enquanto ser humano. Fica esse trecho do texto escrito por Nathan Myers.
“Não Decida”.
" [...] Dias passam despercebidos. Sem posts no Facebook nem email, talvez nem existam.
O swell desaparece. A maré não se move. A lua desaparece. Jogo pedras na água. Converso com gatos. Parto sem avisar ninguém e sigo rumo aos céus.
Em algum lugar nas montanhas, bebo café colhido por perto e torrado frente aos meus olhos. Bebo sopa de legumes de uma horta local. Fofoco com velinhas sobre arroz e pipas. Canto karaoquê e leio metade de um romance [...] Quebro nuvens com o pensamento. [...]
Questiono por que precisava de tudo aquilo que estou sem. Criaturas tão esquisitas e cheias de necessidades. Macacos aficionados com Deus e com tendências suicidas. As pessoas fumaram cigarros por anos antes que alguém lhes dissesse que causa câncer. Mesmo assim, continuaram fumando. Quanto tempo até descobrirmos que nossos celulares causam transtorno de déficit de atenção e redes sociais causam retardo social? Já estão abrindo centros de reabilitação para viciados em internet, o que significa que provavelmente é tarde demais. [...]
“Nunca Chegue”.“Não Decida”.
" [...] Dias passam despercebidos. Sem posts no Facebook nem email, talvez nem existam.
O swell desaparece. A maré não se move. A lua desaparece. Jogo pedras na água. Converso com gatos. Parto sem avisar ninguém e sigo rumo aos céus.
Em algum lugar nas montanhas, bebo café colhido por perto e torrado frente aos meus olhos. Bebo sopa de legumes de uma horta local. Fofoco com velinhas sobre arroz e pipas. Canto karaoquê e leio metade de um romance [...] Quebro nuvens com o pensamento. [...]
Questiono por que precisava de tudo aquilo que estou sem. Criaturas tão esquisitas e cheias de necessidades. Macacos aficionados com Deus e com tendências suicidas. As pessoas fumaram cigarros por anos antes que alguém lhes dissesse que causa câncer. Mesmo assim, continuaram fumando. Quanto tempo até descobrirmos que nossos celulares causam transtorno de déficit de atenção e redes sociais causam retardo social? Já estão abrindo centros de reabilitação para viciados em internet, o que significa que provavelmente é tarde demais. [...]
[...] Estou indo para casa quando percebo que não tenho casa. Estou procurando internet quando percebo que não ligo para internet. Estou indo em direção ao mundo quando percebo que o mundo é que está se lançando em minha direção.
É ai que passo no farol vermelho. É aí que o guarda apita. E é aí que acelero pela minha vida e acabo surfando uma onda que nem conhecia. Acho que tudo isso deve significar alguma coisa. Ou não.
Viajar sozinho é procurar por algo que você já tem. Ao deixar sua vida, você descobre exatamente onde ela está. Perspectiva é um espelho retrovisor. O vento deveria estar soprando, mas não está. O swell geralmente não chega a esse ponto da costa, mas chegou. Eu não deveria estar aqui sozinho, mas estou. Estou morrendo de vontade de contar para alguém sobre a emoção de viajar sozinho... E irei."
(Nathan Myers – Viajando Sozinho, na estrada do autoconhecimento)
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